O QUE EU, ASPIRO PARA MINHA VIDA...

Que os que jamais andaram descalços não encontrem o caminho que chega a minha porta.

Que se percam na jornada labiríntica.

Que eles voltem.

Que eu seja como a que tece o pano na floresta,profundamente escondida.

Que eu possa fazer o meu trabalho sem interrupção.

Que eu seja uma exilada, se este é o sacrifício.

Que eu conheça a procissão sazonada do meu espírito e do meu corpo, e possa celebrar os quartos em cruz,solstícios e equinócios.

Que cada Lua Cheia me encontre a olhar para cima,nas árvores desenhadas no céu luminoso.

Que eu possa acariciar flores selvagens, cobri-las com as mãos.

Que eu possa liberta-las, sem apanhar nenhuma,para viver em abundância.

Que meus amigos sejam da espécie que ama o silêncio.

Que o lugar onde habito seja como uma floresta.

Que haja caminhos e veredas para as cavernas e poços árvores e flores, animais e pássaros,todos conhecidos e por mim reverenciados com amor.

Que minha existência mude o mundo não mais nem menos do que o soprar do vento,ou o orgulhoso crescer das árvores.

Por isso, eu jogo fora a minha roupa.

Que eu possa conservar a fé,sempre!

Que jamais encontre desculpas para o oportunismo.

Que eu faça a mesma escolha todos os dias e de novo.

Quando falhar, que eu me conceda o perdão.

Que eu dance nua, sem medo de enfrentar meu próprio reflexo.